As cinzas
- Luciano Dídimo

- há 46 minutos
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“Todos vão para o mesmo lugar; vieram todos do pó, e ao pó todos retornarão” (Ec 3, 20)
As cinzas são sinal de aceitação
de que Deus tudo faz, na sua glória,
em minha frágil vida transitória,
repleta de pecado e imperfeição.
Para matar a sede de perdão,
eu desejo mudar a trajetória,
escrevendo, na vida, nova história,
as cinzas são sinal de conversão.
Mil louvores, por Sua lealdade,
ao nosso criador, bondoso Rei,
que realiza em mim Sua vontade.
Por isso, nada mais eu temerei,
pois encontro nas cinzas a humildade,
do pó eu vim e ao pó retornarei!
No itinerário espiritual da vida cristã, há símbolos que falam mais alto do que longos discursos. As cinzas são um deles. Silenciosas, leves, quase imperceptíveis — e, no entanto, densas de significado. Elas nos recordam quem somos, de onde viemos e para onde caminhamos.
A Sagrada Escritura nos adverte com sobriedade: “Todos vão para o mesmo lugar; vieram todos do pó, e ao pó todos retornarão” (Eclesiastes 3,20). Não se trata de uma sentença de desespero, mas de uma convocação à lucidez. A condição humana é transitória; nossa fragilidade é real; nossa soberba, ilusória. Reconhecer-se pó é o primeiro passo para abrir-se à graça.
Foi sob essa inspiração que escrevi o soneto “As cinzas”. Nele, procuro contemplar esse sinal penitencial não apenas como memória da morte, mas como anúncio de conversão. As cinzas falam de aceitação — de que Deus conduz todas as coisas em sua glória — e falam também de mudança de rota, de nova história, de retorno ao essencial.
Se o pó nos lembra nossa origem, a misericórdia nos revela nosso destino. Entre o “vim do pó” e o “ao pó retornarei”, desenrola-se o drama da liberdade humana: pecamos, caímos, mas podemos recomeçar. A humildade que nasce das cinzas não nos diminui; antes, nos situa na verdade e nos devolve à confiança filial.
Que este soneto seja, para quem o lê ou escuta, um convite ao recolhimento interior. Que cada palavra ecoe como um suave chamado à conversão sincera, à confiança no Criador e à esperança que ultrapassa a própria morte.
Do pó viemos. Ao pó voltaremos.
Mas é no amor de Deus que encontramos o sentido do caminho.







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